Russian Ark
Da série "o que quero ver" e vi. É um filme que foi inteiramente rodado num plano só, num take só e em tempo real. Até aqui nada muito novo, até porque Hitchcok já nos presenteou também com um "plano único". Mas o meu melhor amigo, Alexander Sokurov (russo, claro !), junto com o Tilman Butnner, alemão, especialista em steadycam, fizeram a captação toda com câmera digital de alta definição. Um dos trabalhos mais conhecidos desse alemão, também meu melhor amigo, foi a captação do filme que eu adoro RUN LOLA RUN. Pois bem, a captação do Russian Ark em alta definição foi gravada num sistema de disco rígido portátil, especialmente concebido para que pudesse percorrer junto com a câmera os 1300 metros de distância das 33 salas do Maior Museu do Mundo. Quatro anos para montar o projeto financeiro. Meses de preparação e ensaios. Enorme equipa russa e alemã. 22 assistentes de direção, 867 atores. Muitas centenas de figurantes. 3 orquestras que atuavam ao vivo. E o filme foi rodado no Hermitage, em S. Peterseburgo, num dia de dezembro de 2001 com apenas 4 horas de luz !
"Abro os meus olhos e não vejo nada", é assim que começa o filme com um narrador dizendo isso sobre uma imagem negra na tela. Em seguida vemos um grupo que desembarca em carruagens do século XIX numa estrada lateral do palácio e a partir daí a câmera começa a percorrer os 99 minutos de plano-sequência... em seguida vemos a encenação preparada especialmente para o autor e ele próprio faz algumas perguntas do tipo: "Terá tudo isto sido encenado pra mim ?", "Poderá ser ? ", "E eu desempenho um papel ?". Pelos corredores, salões, galerias, escadas e portas do edifício, o percurso é feito obedecendo uma coreografia desenhada para a câmera, que intervem personagens históricas, figurantes de época, os visitantes ou o próprio diretor do Museu. A câmera raras vezes quieta, se afasta e se aproxima de personagens e de quadros. Uma verdadeira obra de arte ! O filme revela impressões sobre a tradicional cultural russa. Adoro !!Evoca as memórias das paredes do Hermitage, até ao que foi o seu último baile em 1913. Essa cena é a mais longa, mas eu não queria que tivesse terminado nunca, é rodopiante, ao som da mazurka, a cena termina ao som dos aplausos... Depois de toda essa sensação, vemos os figurantes abandonando o espaço, com a câmera a seguí-los. De novo, o negro, o plano está já vazio, abrindo para o nevoeiro. Dá pra voltar a fita, por favor ?
(foto by Monish, numa das salas da Cinemateca Portuguesa)

2 Comments:
Eu tenho autógrafo do Sokurov, la la la la....hehehe
Vi todos os filmes dele. TODOS. Sou apaixonado pelo cara, sério. Beijos, cara pequena russa.
W, amo-te ! quero ver a letra do russo rsss, manda scaneada.
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