A história das idéias

by Pequena Russa

June 23, 2008

Russian Ark


Da série "o que quero ver" e vi. É um filme que foi inteiramente rodado num plano só, num take só e em tempo real. Até aqui nada muito novo, até porque Hitchcok já nos presenteou também com um "plano único". Mas o meu melhor amigo, Alexander Sokurov (russo, claro !), junto com o Tilman Butnner, alemão, especialista em steadycam, fizeram a captação toda com câmera digital de alta definição. Um dos trabalhos mais conhecidos desse alemão, também meu melhor amigo, foi a captação do filme que eu adoro RUN LOLA RUN. Pois bem, a captação do Russian Ark em alta definição foi gravada num sistema de disco rígido portátil, especialmente concebido para que pudesse percorrer junto com a câmera os 1300 metros de distância das 33 salas do Maior Museu do Mundo. Quatro anos para montar o projeto financeiro. Meses de preparação e ensaios. Enorme equipa russa e alemã. 22 assistentes de direção, 867 atores. Muitas centenas de figurantes. 3 orquestras que atuavam ao vivo. E o filme foi rodado no Hermitage, em S. Peterseburgo, num dia de dezembro de 2001 com apenas 4 horas de luz !
"Abro os meus olhos e não vejo nada", é assim que começa o filme com um narrador dizendo isso sobre uma imagem negra na tela. Em seguida vemos um grupo que desembarca em carruagens do século XIX numa estrada lateral do palácio e a partir daí a câmera começa a percorrer os 99 minutos de plano-sequência... em seguida vemos a encenação preparada especialmente para o autor e ele próprio faz algumas perguntas do tipo: "Terá tudo isto sido encenado pra mim ?", "Poderá ser ? ", "E eu desempenho um papel ?". Pelos corredores, salões, galerias, escadas e portas do edifício, o percurso é feito obedecendo uma coreografia desenhada para a câmera, que intervem personagens históricas, figurantes de época, os visitantes ou o próprio diretor do Museu. A câmera raras vezes quieta, se afasta e se aproxima de personagens e de quadros. Uma verdadeira obra de arte ! O filme revela impressões sobre a tradicional cultural russa. Adoro !!Evoca as memórias das paredes do Hermitage, até ao que foi o seu último baile em 1913. Essa cena é a mais longa, mas eu não queria que tivesse terminado nunca, é rodopiante, ao som da mazurka, a cena termina ao som dos aplausos... Depois de toda essa sensação, vemos os figurantes abandonando o espaço, com a câmera a seguí-los. De novo, o negro, o plano está já vazio, abrindo para o nevoeiro. Dá pra voltar a fita, por favor ?
(foto by Monish, numa das salas da Cinemateca Portuguesa)

2 Comments:

At 10 July, 2008 , Blogger Wolf said...

Eu tenho autógrafo do Sokurov, la la la la....hehehe
Vi todos os filmes dele. TODOS. Sou apaixonado pelo cara, sério. Beijos, cara pequena russa.

 
At 11 July, 2008 , Blogger Pequena Russa said...

W, amo-te ! quero ver a letra do russo rsss, manda scaneada.

 

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