Lisboa
Acabei de ler esse texto. Como sinto tudo isso...
A minha Lisboa pede-me para falar dela com os cinco sentidos.
E quando nela penso o papel fica beco
Desta Lisboa onde todos os becos são saídas.
E eu podia falar dos cheiros de Lisboa Da maresia
Das laranjas das manhãs e dos croissants das tardes
Das castanhas dos Invernos
Mas ela diz-me Fala-me com todos os sentidos.
E eu podia começar a falar desta Lisboa de onde vejo tudo
Das tais Colinas que tomam chá acima das nuvens
Dos mares que só os lisboetas viram
Das saudades
Que vimos nas caras dos que daqui saem.
Mas ela voltava a pedir-me Fala com todos.
Então eu começava a falar da forma de lhe tocar
Dos pés traçados pelas calçadas
Das rugas da baixa
E da forma de lhe provar Os pequenos-almoços
As festas populares
O salgado O doce
A tristeza agri-doce
O café.
E ela respondia Com todos.
E eu
Do que ouvimos.
Dos carris do 28 e dos outros,
Das gaivotas
Falava-lhe do sussurro da ponte que se ouve quando se quer.
E ela, a cidade-beco
Paciente, a ouvir-me
Disse-me Fala do resto.
Deste sentido que não é sentido nenhum
Que é sentimento.
Que é viver de sentidos fechados e sem lamento.
by João Silva (http://www.ingoista.blogspot.com/)

2 Comments:
Que orgulho :)
Beijo com saudade!
João
Senhor Gentil, orgulho!? uma amiga le vc aqui e me disse: "nossa parecia F.Pessoa", dps foi lá no seu blog e disse mais: "não foi à toa que virou livro!". Eu é que tenho orgulho de ti !
beijo com saudade tb.
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